19/04/2026

Preparando a temporada 2026 – Entrevista com Gaia Tormena

Com a primavera a começar a surgir, a temporada de ciclismo está ao virar da esquina, com competições de diferentes disciplinas prestes a arrancar.

Falámos com Gaia Tormena, campeã europeia de Cross Country Eliminator apoiada pela MERIDA, para saber como decorreu a sua pré-temporada, quais são os seus objetivos para 2026 e como geriu o facto de não poder defender o seu título mundial no ano passado devido a uma lesão.

Desde o final da época passada, conseguiste desligar? O que fizeste nesse período?

Claro. Para mim, ter um período longo sem treinar é fundamental para recarregar tanto mental como fisicamente antes de começar uma nova temporada, e também para recordar que, para além de ser atleta, existe todo um mundo lá fora que nem sempre conseguimos aproveitar durante a época.

Quando retomaste os treinos e como preparaste a temporada 2026?

Comecei com saídas suaves de MTB, depois adicionei sessões de ginásio e, sempre que possível, treinos intensos de estrada; quando não era possível, utilizava os rolos.

Quando é a tua primeira corrida e como chegas até ela?

Já comecei a competir em estrada, mas a minha primeira prova de XCE será o evento mais importante do ano: o Campeonato do Mundo em Barcelona, no dia 18 de abril.

Estou a dar o meu melhor para chegar na melhor condição possível, porque depois de não poder lutar pela camisola no ano passado e de ter visto a corrida desde casa devido a uma lesão no cotovelo, estou determinada a recuperá-la.

Quais são os eventos-chave para ti em 2026?

O Campeonato do Mundo de XCE, dentro de algumas semanas; o Campeonato da Europa, na Turquia, e o Campeonato de Itália, em junho (dias 7 e 26).

Depois irei preparar algumas corridas específicas de estrada e gravel ao longo do ano, dependendo do calendário de XCE.

Que bicicletas vais utilizar em 2026? Fizeste alterações em relação ao ano passado?

Vou continuar a utilizar as mesmas bicicletas: a BIG.NINE para as provas de XCE e a REACTO para as corridas de estrada.

Experimentei muitas bicicletas de estrada ao longo da minha carreira, mas nenhuma como a REACTO.

Além disso, terei o privilégio de conduzir a nova gravel, a MISSION, e estou muito entusiasmada por a testar a fundo.

Além do Eliminator, vais competir noutras disciplinas?

Sim, vou competir em estrada tanto em Itália como no estrangeiro, e também vou participar pela primeira vez em corridas de gravel.

Tenho previsto correr a TRAKA, em Girona, e o Campeonato da Europa.

Que conselho darias a alguém que quer iniciar-se neste desporto?

Gostava de ter sabido o quão viciante isto é. O ciclismo liga-te às pessoas, especialmente se tiveres a oportunidade de competir a nível internacional.

Conheces pessoas de todo o mundo e crias amizades para a vida inteira.

Para os jovens, em particular, é uma experiência que muda a vida e ajuda a crescer tanto como pessoa como atleta.

O que achas que ajudaria mais mulheres a começarem a praticar ciclismo?

O passa-palavra entre mulheres. Acho que muitas têm medo do desporto em geral, e do ciclismo em particular, porque receiam comparar-se com os outros.

Mas praticar desporto não é só competir. Quando sais para pedalar, não tens de bater recordes todos os dias.

Os únicos recordes que vais superar são os teus, e quando encontrares o grupo, a companheira ou a bicicleta certa, vais sentir-te mais feliz e melhor do que nunca.

Por isso, antes de dizeres “isto não é para mim”, dá-lhe uma oportunidade.

Como seria o teu dia perfeito em cima da bicicleta?

Os meus melhores dias são os que partilho com o meu companheiro, que me acompanha de mota.

Saímos de manhã e ficamos fora entre três e cinco horas. Fazemos treinos, trabalho atrás de mota, simulamos situações de corrida… e voltamos para casa felizes e motivados para o que vem a seguir.

No ano passado não pudeste defender o teu título mundial devido a uma queda. No entanto, conseguiste vencer o Europeu. Como geriste isso e que objetivos tens este ano?

Os dois primeiros dias depois da queda foram duros. Pensava que, apenas dois dias antes, estava na melhor forma da minha vida para lutar por esse título, e de repente a única coisa que podia fazer era estar na cama com dores.

Depois mudei o foco para a recuperação e deixei de pensar no Mundial. No dia antes da corrida fiz a minha primeira saída, e no dia da prova fui pedalar com a camisola arco-íris antes de tudo começar.

O objetivo passou a ser o Campeonato da Europa, e com uma boa preparação conseguimos. Cruzar a meta em primeiro lugar foi um enorme alívio. Foi como dizer a mim mesma — e ao mundo — que a queda não tinha mudado nada e que eu estava de volta.

Este ano começo diretamente com o Campeonato do Mundo e estou mais motivada do que nunca. Barcelona é um circuito que se adapta muito bem às minhas características, com sprints curtos encadeados.

Depois vou concentrar-me no Europeu, que é completamente diferente, com retas longas onde a resistência é essencial se não quiseres “afogar-te” em ácido láctico.

Mal posso esperar para voltar à linha de partida e medir forças com as restantes atletas.

Queremos agradecer à Gaia pelo seu tempo e por partilhar a sua visão, e esperamos que arranque a temporada 2026 em grande no Campeonato do Mundo de XCE em abril.

Também esperamos vê-la dominar novamente a Taça do Mundo de Eliminator e o Campeonato da Europa em junho.

Boa sorte de toda a equipa MERIDA!

Para acompanhar os resultados e conquistas da Gaia, segue-a no Instagram: @gaiatormena.


NOTA: Imagens cedidas por @citymountainbike and @davidacedo